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Just in time e estoque de segurança: a lição da Toyota na crise dos chips

A empresa que criou o just in time foi a que tinha chip guardado quando o mundo ficou sem. Veja o que a Toyota mudou depois de 2011 e o que isso ensina a um negócio pequeno.

Equipe Paletizza

3 min de leitura

A Toyota criou o just in time, o método de trabalhar com o mínimo de estoque possível. E foi ela que atravessou o começo da falta mundial de chips, em 2021, melhor que as concorrentes, porque tinha chip guardado. A lição: estoque mínimo funciona pro que você repõe rápido. Pro que é crítico e demora a chegar, uma reserva é o que mantém o negócio andando.

O que é just in time?

É comprar e produzir só o necessário, só quando for necessário. Em vez de encher o depósito "por garantia", a peça chega perto da hora de ser usada.

Os ganhos: menos dinheiro parado, menos espaço ocupado, menos coisa estragando ou ficando obsoleta. O risco: se um fornecedor falha, não tem reserva pra segurar a produção.

O que a Toyota mudou depois de 2011?

Em março de 2011, o terremoto e o tsunami no Japão, que provocaram o desastre nuclear de Fukushima, mostraram o tamanho desse risco. Segundo a Reuters, a Toyota calculou que mais de 1.200 peças podiam ser afetadas e montou uma lista de 500 itens prioritários, que precisavam de fornecimento garantido.

Daí saiu um plano de continuidade de negócios. Uma das regras: os fornecedores passaram a manter chips suficientes pra cobrir de dois a seis meses, conforme o tempo que cada peça leva entre o pedido e a entrega.

A reserva não era igual pra tudo: era maior onde a reposição era mais lenta.

E em 2021, quando faltou chip no mundo?

No começo da crise, a Toyota foi descrita pela Reuters como a montadora mais bem preparada pra falta de chips. Enquanto Volkswagen, GM, Ford, Honda e Stellantis paravam linhas, ela chegou a elevar a previsão de lucro do ano.

A reserva durou alguns meses. Em agosto de 2021, com a falta de chips se arrastando e uma nova onda de covid, a Toyota anunciou um corte de 40% na produção de setembro: de 900 mil pra 540 mil carros.

A reserva não evitou o corte, mas deu à Toyota meses de produção enquanto boa parte da concorrência estava parada.

Como aplicar isso num negócio pequeno?

Você não precisa de um plano com 500 itens. Precisa responder uma pergunta: o que, se faltar amanhã, para o meu negócio?

Com a resposta, dá pra separar o estoque em dois grupos:

  • Fácil de repor: fornecedor perto, entrega em um ou dois dias, várias marcas que servem. Aqui vale o espírito do just in time: pouco estoque, reposição frequente.
  • Difícil de repor: fornecedor único, prazo longo, item importado, peça sem substituto. Aqui entra a reserva.

Pra dimensionar a reserva, a conta mais simples é esta:

Reserva = consumo médio por dia × dias que você quer aguentar sem reposição

Um exemplo: uma oficina usa 4 filtros de um modelo por dia, e esse filtro leva 15 dias pra chegar quando falta no distribuidor. Aguentar esses 15 dias pede 60 filtros guardados, além do estoque normal.

Reserva só funciona se não for consumida no dia a dia, e isso pede um lugar próprio pra ela, separado do estoque que gira. É aí que a gente entra também, com estrutura pra que a reserva do seu negócio fique guardada no alto, organizada e fora do caminho de quem trabalha, saindo de lá só quando precisar. Antes do lugar, porém, vem a decisão de quanto guardar, e ela é item por item.

Just in time e estoque de segurança convivem. A Toyota usa os dois: estoque mínimo no que é fácil de repor, reserva no que pode parar a linha. Em 2021, essa separação foi o que a manteve produzindo enquanto outras paravam, até o limite da própria reserva.

Qual é o item que, se faltar amanhã, para o seu negócio? E quantos dias você aguenta sem ele?

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