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Como funciona o estoque da Amazon (e por que o mesmo produto fica em vários lugares)

Nos armazéns da Amazon, o mesmo produto fica guardado em vários lugares, ao lado de itens sem relação. Entenda a armazenagem aleatória e o que ela ensina.

Equipe Paletizza

3 min de leitura

Nos centros de distribuição da Amazon, o mesmo produto fica guardado em vários lugares diferentes, dividindo espaço com itens que não têm relação com ele. O sistema registra onde cada unidade foi colocada, então ninguém precisa decorar posição, e nenhuma prateleira fica reservada esperando um produto que ainda não chegou.

O método se chama armazenagem aleatória. Em inglês, random stow.

O que é armazenagem aleatória?

É guardar cada item na primeira posição livre que sirva pra ele, em vez de numa posição fixa por categoria. O livro vai pro espaço que estiver vago, que pode ficar entre uma capinha de celular e um pacote de pilhas. O que não muda é o registro: cada posicionamento fica gravado e ligado ao código do produto.

O contrário é o estoque de posição fixa, que a maioria dos negócios usa sem dar nome: a prateleira dos parafusos, o corredor das bebidas, o canto das caixas de papelão.

Como a Amazon sabe onde está cada coisa?

Pelo código de barras, dos dois lados. Quem guarda escaneia o produto e escaneia a posição onde colocou. A partir daí, o sistema sabe que aquela unidade está naquele compartimento.

Nos centros mais automatizados, os itens ficam em estantes móveis que robôs levam até a pessoa. E a empresa distribui as unidades de um mesmo produto por várias dessas estantes, pra sempre haver alguma disponível quando o pedido chega.

Por que isso aproveita melhor o espaço?

Porque espaço reservado e vazio é espaço sem uso. No estoque de posição fixa, a prateleira do produto X fica vazia enquanto ele está em falta, e o produto Y se amontoa no chão por falta de lugar. Na armazenagem aleatória, qualquer espaço livre é usado pelo que chegar primeiro.

Tem mais dois ganhos. Como o mesmo produto está em vários pontos, o sistema escolhe o mais perto de quem vai buscar e monta o caminho mais curto. E como os itens mais vendidos não ficam todos no mesmo corredor, as pessoas não se aglomeram num lugar só.

Isso funciona num negócio pequeno?

Do jeito da Amazon, não. Sem um sistema registrando cada movimento, guardar em qualquer posição livre vira bagunça, e o produto some. Lá funciona porque as duas coisas andam juntas: posição livre e registro.

O princípio que sustenta o método vale pra qualquer tamanho: todo produto precisa de um endereço, e o endereço precisa estar anotado em algum lugar além da cabeça de alguém.

Num negócio pequeno, isso cabe numa planilha:

  1. Dê nome às posições. Corredor, estante e nível, tipo "A-2-3". Uma etiqueta em cada nível resolve.
  2. Anote onde cada produto está. Uma coluna a mais na planilha de estoque.
  3. Deixe fixo o que sai muito, e livre o que sai pouco. Os produtos de maior saída ganham posição fixa, perto de onde o pedido é montado. O resto ocupa o que estiver vago, desde que anotado. É um meio-termo entre os dois modelos, e a curva ABC ajuda a decidir quem fica em cada grupo.

Endereço só funciona em estrutura que aceita endereço: nível numerado, vão definido, prateleira que não muda de lugar toda semana. Esse é o lado do problema em que a gente entra, vendendo estrutura pra que o seu estoque tenha posições fixas e contáveis, que é de onde qualquer sistema de endereço começa. Com as posições no lugar, a planilha faz o resto.

Na Amazon, a organização está no sistema, e não na ordem das prateleiras. Por isso o mesmo produto pode estar em vários lugares sem se perder, e nenhum espaço fica parado esperando.

Se alguém começasse amanhã no seu depósito, conseguiria achar um produto sem perguntar pra ninguém?

No nosso Instagram tem mais sobre como outras operações guardam e encontram o que vendem.

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