Curva ABC de estoque: como descobrir quais produtos merecem o melhor lugar
Poucos produtos respondem pela maior parte do movimento do seu estoque. Veja como montar a curva ABC numa planilha e usar pra decidir compra, contagem e lugar.
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A curva ABC separa o seu estoque em três grupos pela importância de cada item: os poucos que movem quase tudo (A), os intermediários (B) e os muitos que movem pouco (C). Com ela, você para de tratar todo produto igual e passa a dar atenção, dinheiro e o melhor lugar da prateleira pra quem merece.
De onde vem essa ideia?
Do economista italiano Vilfredo Pareto, que no fim do século 19 observou que cerca de 80% das terras da Itália estavam nas mãos de cerca de 20% da população. A proporção reapareceu em tanto lugar que virou regra de bolso: poucos itens concentram a maior parte do resultado.
No estoque, ela aparece assim: uma parte pequena dos produtos responde pela maior parte das vendas, do dinheiro investido ou das saídas.
Como é a divisão entre A, B e C?
A divisão mais usada como ponto de partida é esta:
| Classe | Parte dos itens | Parte do valor |
|---|---|---|
| A | cerca de 20% | cerca de 80% |
| B | cerca de 30% | cerca de 15% |
| C | cerca de 50% | cerca de 5% |
Os cortes variam de negócio pra negócio. Cada um descobre os seus quando faz a conta.
Como montar a curva ABC numa planilha?
Seis passos, que cabem numa tarde:
- Liste todos os produtos, um por linha.
- Pra cada um, coloque quanto saiu no último ano (ou nos últimos seis meses) e o custo unitário.
- Multiplique um pelo outro. Esse é o valor que cada item movimentou.
- Ordene do maior pro menor.
- Calcule o percentual acumulado: vá somando linha a linha e divida pelo total.
- Marque como A os itens até chegar a 80% do acumulado, como B até 95%, e o resto como C.
Se o seu estoque seguir a divisão típica, metade dos itens vai cair no grupo C: muita coisa ocupando espaço pra pouco movimento.
Curva de valor ou curva de saída?
Existem duas curvas, e cada uma responde uma pergunta diferente.
- Pelo valor (quantidade × custo): mostra onde está o dinheiro. Serve pra decidir o que comprar com mais cuidado e o que contar com mais frequência.
- Pelas saídas (quantas vezes o item é retirado): mostra o que dá mais trabalho no dia a dia. Serve pra decidir onde cada produto mora.
Um produto caro que sai uma vez por mês é A na curva de valor e C na de saídas. Ele merece atenção na hora de comprar, e pode morar longe do lugar mais fácil de alcançar.
O que fazer com a curva pronta?
Onde guardar. Os itens A de saída ficam perto de onde o pedido é montado, na altura entre a cintura e o ombro, onde se pega sem abaixar nem subir em nada. O C vai pro alto, pro fundo, pro nível de baixo.
Quando contar. O A merece contagem frequente, um pedaço por semana. O C pode ser contado bem menos. Contar tudo só uma vez por ano faz o erro aparecer meses depois de acontecer.
Quanto comprar. O A pede acompanhamento de perto, porque é onde a falta mais aparece em venda perdida. No C, o risco maior é o encalhe, e vale perguntar se todos precisam continuar no mix (o giro de estoque ajuda a achar quais).
Organizar pela curva de saída depende de a estrutura acompanhar: nível na altura certa pro A, espaço no alto pro C, e liberdade pra mudar quando o giro muda. É isso que a gente busca com as nossas estruturas, que você configura em altura e número de níveis: queremos que o lugar de cada produto siga o giro dele, e não o contrário. Com a curva na mão, fica claro quem vai pra onde.
A curva ABC é uma planilha de uma tarde que muda três decisões: o que comprar com cuidado, o que contar mais vezes e onde cada produto mora. Uma versão aproximada já muda as três.
Se você tivesse que chutar agora, quais são os três produtos A do seu estoque? E eles estão no lugar mais fácil de pegar?
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